Ricardo Nogueira (esq.), presidente da SMARTTECH, com Nilton Nogueira, da AEA, na abertura do TechDay Segurança Veicular

Holambra – Homologação de veículos, Latin NCap – requisitos atuais e expectativa até 2022, cadeirinha e homologação no Brasil, desafios da indústria automobilística e simulação aplicada à segurança veicular foram alguns dos temas do Tech Day Segurança Veicular, realizado pela SMARTTECH (organização 100% brasileira especializada em tecnologia e serviços de apoio a projetos de engenharia), na sede da empresa em Holambra (SP).

Ricardo Nogueira, presidente da SMARTTECH, abriu o ciclo de apresentações do TechDay com alerta sobre o ambiente de negócios no País e a competitividade brasileira no segmento automotivo. “Vivemos um momento interessante no Brasil que vai nos levar a situações novas em termos de posicionamento empresarial e podem afetar algumas decisões tomadas”, disse o executivo, referindo-se às oscilações do mercado nacional nos últimos anos, que derrubaram a produção local de veículos e “ameaçam a competitividade brasileira”. Nogueira destacou o desempenho das exportações de veículos, que, para ele, evidenciam a reação da indústria automobilística à crise econômica e à perspectiva da falta de incentivos governamentais ao setor.

Carlos Salvador, responsável pela aprovação de componentes e veículos da VCA (Vehicle Certification Agency) South America, agência oficial de homologação do Reino Unido especializada no setor automotivo, falou da homologação de veículos no País e das soluções e vantagens da localização desses serviços para as empresas. Entre elas citou soluções customizadas, capacitação de engenheiros locais para oferecer serviços de certificação com custos locais, dispensando a necessidade de especialistas estrangeiros para homologações em outros países, que geram custos adicionais e dispêndio de tempo.

Bruno Leal, da Comissão Segurança Veicular para Testes de Impacto da AEA (Associação de Engenharia Automotiva) discorreu sobre os requisitos da Latin NCAP para avaliação de crash tests bem sucedidos e as diferenças de protocolos dos países para a pontuação dos veículos nos ensaios. Bruno citou como desafios para a segurança a educação de trânsito, a conscientização do pedestre e a fiscalização. “Mais de 90% dos acidentes são causados por fatores humanos, é preciso conscientizar pessoas em relação à segurança” destacou o engenheiro. Segundo Leal o consumidor brasileiro paga por acessórios, mas resiste ao conteúdo tecnológico de segurança veicular agregado ao veículo por causa do custo. Sobre expectativas para o futuro próximo, ele afirmou: “No geral os mercados menos desenvolvidos tendem a seguir a Europa”.  De acordo com o especialista a tendência no Brasil é de atualização de protocolos para uma avaliação única que inclui proteção ao adulto, criança, pedestre, e safety assistence, como acontece no continente europeu.

Oliver Schulze, gerente senior de engenharia da Takata, expôs os desafios da indústria automobilística ante as exigências da segurança veicular e ressaltou a necessidade de mais informação sobre o tema no País. “Temos 50 mil mortes por ano no Brasil, uma verdadeira guerra civil”, disse. O engenheiro falou da alta capacidade ociosa na indústria automobilística e apontou a exportação como uma das saídas para a crise e para o setor manter a competitividade no mercado internacional. Schulze apontou a importância do programa Rota 20-30 para a previsibilidade necessária aos investimentos, assim como da Lei do Bem, que incentiva aportes em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento.

Eduardo Silva, gerente de regulamentação de testes da Britax, apresentou requisitos para a homologação e certificação de cadeirinhas para o transporte seguro de crianças no veículo, aspectos da regulamentação no Brasil e estatísticas, que registram 120 mil crianças hospitalizadas por ano vítimas de acidentes no Brasil, dos quais 40% das ocorrências são atribuídas ao trânsito. O engenheiro explicou a função dos sistemas de retenção infantil no veiculo e a importância do uso correto dos equipamentos. Mostrou o sistema Isofix, patente da Britax certificada para montadoras que ainda não é regulamentada no Brasil, e destacou a atitude preventiva dos pais como caminho para a redução de lesões graves em crianças vítimas de acidentes de trânsito. Eduardo também apontou a falta de informação como desafio para melhorar as estatísticas do trânsito.

Cleber Pagliosa, supervisor de Cálculo Estrutural da SMARTTECH, abordou casos de aplicação de simulação no desenvolvimento de itens de segurança veicular como os cintos, que têm agregado funcionalidades com aumento do número de componentes que adiciona aos projetos cada vez mais complexidade. “As tecnologias de simulação de hardware e de software evoluíram bastante nas últimas décadas e se tornaram robustas o bastante para produzir resultados bastante confiáveis na correlação do resultado da simulação com resultado de testes”, afirmou o engenheiro.

Celso Mazarin, diretor de Operações SMARTTECH, apresentou testes realizados no TechCenter da empresa, como ancoragem de cintos e bancos de veículos leves; avaliação de conformidade de características de bancos e encosto de cabeça; avaliação de cabine de caminhão quanto à proteção do ocupante na região do para-brisa, parte frontal na região dos membros inferiores, além de simulação de condição de capotamento e compressão do teto da cabine, entre outros relacionados a para-choques, rodas, crash box e ROPs, este aplicável a máquinas rodoviárias.